domingo, janeiro 13, 2008

Usos, costumes e brincadeiras...


Nos meus tempos de criança, como não havia brinquedos, o faz de conta era o método utilizado para ultrapassar as nossas faltas.
Brincava sempre com as minhas irmãs e com os nossos cães, que também tinham um papel muito importante nas nossas brincadeiras e correrias. Dependendo da época do ano, assim eram as nossas brincadeiras e fantasias. No final da Primavera, época em que o milho estava a formar maçarocas brincava-se a imitar cabeleireiras afamadas, onde as nossas clientes eram submetidas a penteados artísticos, dependendo sempre das nossas vontades e criatividades.
A meio de Janeiro começava a caça aos besouros que eram apanhados para dentro de uma qualquer vasilha que era jogada para dentro da casa da prima Ermelinda que, mesmo morando a uma certa distância era considerada vizinha.
Sentiamos uma grande alegria, ao ver todos os besouros atarantados a voltearem em redor do candeeiro a petróleo e a dona da casa, por toda a "salgalhada", imitava uma grande arrelia que não sentia.
Mas....
Não havia só brincadeiras, também havia muitas tarefas, algumas bastantes aborrecidas!
Uma delas era espiar onde as galinhas tinham o ninho. Como andavam soltas, as atrevidas gostavam de os fazer muito bem escondidos, por isso era preciso descobri-los para retirar os ovos para a nossa alimentação, e evitar que aparecesse ao fim de três semanas uma galinha orgulhosa a mostrar a sua prole... todos bonitos e muito fofinhos.
Assim que a minha mãe descobria que havia uma que tinha mudado de ninho, incumbia-me da aborrecida tarefa de a seguir com todo o cuidado e alguma distância para ela não perceber que estava a ser seguida. De manhã bem cedo, ao abrir a porta do galinheiro a tresmalhada era apanhada e metia-se um dedo, geralmente o anelar no rabito para ver se havia ovo. Se fosse dia de descanso, isto é, se não se encontrava nada no interior do seu corpo, ficava livre e só no dia seguinte é que se repetia novamente a inspecção da existência ou não de ovo. Se não era dia de descanso ficava fechada mais algum tempo, até ela estar com muita vontade de ir para o ninho aliviar-se do seu ovinho.
Mas, algumas espertas e manhosas, percebiam que eu as seguia, então com esperteza elas conseguiam iludir-me com voltas e voltinhas. Perdendo-as de vista, ficava obrigada a repetir tudo de novo até descobrir o sítio onde a manhosa, secretamente tinha o seu ninho. Como era um trabalho que me aborrecia, para evitar estes contratempos muitas vezes fazia uma grande maroteira que dava sempre bons resultados.
A solução era pôr umas pedrinhas de sal no rabito da manhosa. Assim que o sal começava a fazer-lhe ardor, julgando ela que o ovo lhe estava a querer sair, ia a correr aliviar-se daquele incómodo, ficando eu livre logo à primeira, daquele trabalho detestável.

Publicou a Zília

8 comentários:

António Gil disse...

Coitadinhas das galinhas. Com sal, Zília? E os galos cantando no poleiro!

Carolina disse...

E os galos se se atrevessem a galar as galinhas, ficavam a arder na salmoura!
Olha Zília, galinha do teu quintal é que eu não queria ser!...
;)))))

lami disse...

Ainda dizem que as galinhas são estúpidas! Vejam o que era preciso para as enganar :))

Teresinha disse...

Zília, eras "endiabrada", rapariga!!!
Então, isso faz-se?!...

-E as aventuras do Monte do Paio com os netos, saíram?
Gostei muito de te encontrar lá, temos de voltar...
Beijinhos

belinha disse...

Conhecia a do dedo mas essa do sal não sabia não...tadinhas
Bonita história que nos faz voltar aos tempos de criança com muitas travessuras.
beijinho

Maria disse...

Olá Apareci
Estão todos bem?
Desejo a todos um bom ano.
Zilinha endiabrada, coitadinha da minha tia ficava com a casa invadida de besouros, mas olha lá os besourinhos não apareciam pelos Santos Populares?
Alentejanas são mto espertas, já naquela época eram conhecidos produtos para induzir o parto da pobre galinha.
Beijinhos

Maria disse...

Zilinha:
Já viste, a tua galinha ainda está com o rabo a arder do sal pq não pára quieta.
A pouco e pouco vamos conhecendo as tuas diabruras, até a tia Ermelinda não te escapava ás traquinices, mas ela gostava mto de ti.
Beijinhos
Bia dos Santos

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