
domingo, janeiro 27, 2008
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Três Inofensivos Sapos!

A vida decorria-lhe sempre igual, muito trabalho e muita pobreza, mas já estava habituada a esta situação sem alterações ou melhorias, mas os Invernos, principalmente nos dias de chuva ou humidade, trazia-lhe para além das já existentes mais uma preocupação e um dia aconteceu o que ela sempre temeu. Depois de todos os animais tratados vai para casa fazer o jantar e eis que ao chegar à porta fica paralisada pensando como haveria de resolver aquele problema. Tenta pensar, mas o medo é tanto que nenhuma ideia lhe chega ao cérebro.Com um pavor enorme, consegue subir para uma cadeira, depois para a arca e de seguida para a mesa que sempre é um pouco mais alta.
Ali fica acocorada encostada a parede com medo, frio e fome, esperando que a sorte lhe traga da taberna o mais cedo possível o seu Ventura.
Ventura das Amoreiras vinha quentinho com as rodadas de bagaço que consumiu com os companheiros de sempre. Ficou preocupado ao perceber que a porta estava aberta e o candeeiro ainda apagado, mais preocupante era não ouvir nenhum rumor da mulher. Cauteloso chamou. Ti Penelinha não consegue segurar os nervos, a chorar pede ao homem que a livre daqueles horríveis três sapos que estão dentro de casa.
Ventura ri com gosto e não percebe o porquê de tanto medo de três inofensivos bichos pachorrentos.
terça-feira, janeiro 22, 2008
Outras gentes, outras terras...
O Cego AderaldoAderaldo Ferreira de Araújo é uma legenda de cantoria nordestina.
Cego, tradição de um Homero ou de um Tirésias, cumpriria o destino traçado pelos deuses de ser privado da visão para ser apenas voz. Mas que conheceu a luz e a cor até aos 18 anos.
1 – Eu venho de muito longe, desde o dia 24 de junho de 1878. Sou filho da cidade do Crato, onde nasci em modesta casa da Rua da Pedra Lavrada, atualmente Rua da Vala. Meu pai, Joaquim Rufino de Araújo, era alfaiate. Minha mãe, Maria Olímpia de Araújo, era de prendas domésticas, como devem ser todas as mulheres. Meu sofrimento, na vida, vem também de muito longe. Quando eu tinha pouco mais de dois anos, perdi meu pai. Lá ouviram falar em homem que tem ataque de congestão? Aquele velho e honrado alfaiate, que largara Crato para viver em Quixadá, aonde viera buscar fortuna, fora agarrado pela desgraça. Que pode fazer um alfaiate mudo, surdo e aleijado? Desde esse momento Amém necessidade entrou em nossa casa. Entrou e se abancou. Eu, com idade de cinco anos, tive que trabalhar na casa do Sr. Miguel Clementino de Queiroz, Amém dois vinténs por dia... E era com esse dinheiro que eu podia sustentar meu pai. Um cego andarilho, que não vendia histórias, papel reservado a eles na tradição européia, mas que ganhava a vida como um “performer” medieval. O importante não era apenas o que ele dizia, mas como dizia, a eloqüência da voz, ao artifícios da retórica, a verve de quem sempre tinha um argumento a mais para exibir no último instante e fazer calar o rival.
“Canto para distrair,
Este meu curto poema:
Vou fugindo da miséria
Que é este o penoso tema,
Desta terra de Alencar,
Deste berço de Iracema.
Fugi com medo da seca,
Do pesadelo voraz
Que alarmou todo o sertão
Da cidade aos arraiais”.
Em Belém do Pará eu conheci muitos cantadores.
Mas o mais afamado,
que emendou a camisa comigo,
foi o índio Azuplim.
Nossa batida foi a que se segue...
Eu saí do Ceará
Deixei meu triste macambo,
Com medo do dezenove,
Este pesadelo bambo.
Tinha o coronel Monturo
Junto com doutor Molambo...
A dona fome na frente,
Na cadeira do trapiche,
Dizendo:
No Ceará Tudo é fofo e nada é fixe.
Juro que aqui nesta terra
Não vinga mais nem maxixe...
A dona Fome me olhou
E disse a mim: - Eu pego!
Eu disse: - Não senhora!
Eu sei por onde navego,
Quem tem vista corre logo,
Quanto mais eu sendo cego...
Segui para Fortaleza,
Dei uma viagem além.
O barco era o “Maranhão”,
E até corria bem,
Com três dias e três noites
Chegando nós em Belém...
Quando eu cheguei em Belém,
Me encostei naquele cais.
- Aonde vai esta linha?
Eu perguntei a um rapaz
Ele disse: - Nesta linha
Passa um trem para São Brás...
Eu parti para São Brás,
Para casa de Gaudêncio
Que já conhecia bem,
Ele, Salina e Meréncio;
Junto estes amigos
Não pude guardar silêncio...
Fui para Madre de Deus,
Terra de um povo fiel,
Ali ganhei qualquer cousa
Tomei açaí com mel,
De manhã peguei o trem,
Fui para Santa Isabel...
Depois fui para Americana,
Cantei lá no Apéu,
Do sitio de São Luís
Eu fui pra Jambuaçu;
Eu cantei no Castanhal,
E no Igarapeaçu...
No primeiro Caripi
Eu cantei, lá fui feliz,
No segundo Caripi
Cantei tudo quanto quis,
E ali tomei o trem,
Fui cantar em São Luís....
Ali chegou um convite,
Eu para Muricizeira,
Depois, cantei no Burrinho
Cantei no Açaí Teuã...
Fui cantar no Timboteuã...
Segui para Capanema
Com coragem e esperança.
Passei uns dois ou três dias
E segui para Bragança,
Dizendo sempre comigo:
- Quem espera em Deus não cansa...
Quando eu cheguei em Bragança,
Não quis ir no Benjamim,
Não encontrando hospedagem,
Me hospedei num botequim,
Que era coberto e cavaco
E circulado a capim...
O dono do botequim
Veio a mim e perguntou:
- Cego de onde tu és?
Me diga se é cantador.
Me diga se não tem medo
De azuplim trovador...
Me perguntei: - Não senhor!
Será algum rio-grandense
Ou mesmo um paraíbano,
Ou um cantador cearense?
Ele disse: - Não senhor,
É um cantor paraense...
Quando findei a palavra
Vi o paraense chegar,
Ele trazia consigo
Uma viola e um ganzá,
E trazia um tamborim,
Que é instrumento de lá...
Ele afinou a viola,
Quando bateu no ganzá,
Deu um tom no tamborim
Para o baião entoar,
Eu tirei a rabequinha
E fiz a prima chorá...
C - Eu lhe disse:
- Oh! Paraense,
Es uma ninfa de fada,
Teu cântico me parece
A deusa da madrugada.
Eu lhe peço, amicíssimo,
Que cante a sua toada...
A - Cego, minha toada é,
Um trabalhador garantido.
Você pra cantar mais eu
Precisa ser aprendido,
Queira Deus tu me acompanhe, ai ai!
Pra cantar nesse gemido...
C - Meu amigo, o teu gemido,
Tem destacado valor,
Canta bem perfeitamente,
Já vi que é bom cantador,
Mas amigo, esse gemido,
Me desculpe , que eu não dou...
A - Se num dás um só gemido
Também não és cantador,
Vá cobrar logo o dinheiro.
Do mestre que lhe ensinou, ai, ai!
O cego já apanhou...
C - Se gemer foi cantoria,
Você é bom cantador,
Pois gemes perfeitamente,
No gemido tem valor,
Mas geme com grande dor...
A - Ou que gema ou que não gema,
A boa palavra encerra,
Cego, cante aqui mais eu,
Que eu vim lhe fazer guerra,
Quero que você me diga, ai, ai!
A linguagem da minha terra...
C - A linguagem da tua terra,
Não é linguagem mesquinha,
É toda no guarani
Estudada, é bonitinha!
Para que não perguntaste
A linguagem da terra minha?...
A - Eu quero é que diga da minha
Por que muda de figura:
Cego, diga para mim
O que nós chama mucura,
Quero que você me diga, ai, ai!
O que é saracura...
C - É verdade, essa linguagem
Muda mesmo de figura,
O que nós chama casaco
Vocês só chamam mucura
E o que nós chama sericóia
Vocês chamam saracura...
A - Cego, diga para mim:
O que é jamaru?
Queira Deus você me diga
O que é jacuraru,
O que é macuracar ai, ai!
O que nós chama jambu...
C - É o que nós chama cabeça,
Vocês chama jamaru,
O que nós chama tejo,
Vocês chama jacuraru,
Tipi é mucuracar,
E agrião chamam jambu...
A - Cego, diga para mim
O que nós chama jibóia,
Quero que você me diga
O que é tiranabóia,
Diga aí pra eu saber, ai, ai!
O que é “pegando a bóia”...
C - No Piauí tem um besouro
De nome tiranabóia,
Nossa cobra-de-veado
Cresce aqui, chamam jibóia,
Em minha terra almoço e janto,
... tanto aqui só “pego a bóia”...
A - Cego, diga para mim
O que é a sacupema,
Veja se você me diz
O que é piracema,
Diga aí rapidamente, ai, ai!
O que nós chama panema...
C - O que nós chama raiz
Vocês chama sacupema,
O que nós chama peixe muito
Vocês chamam piracema;
A um sujeito preguiçoso
Chega aqui chamam panema...
A - Cego, diga para mim
A língua dos Tupinambá,
A língua dos Aimoré,
Ou dos índios Caetá,
Ou sobre os índios Tamoios
Ou índios Tamaracá...
C - Sobre as gírias dos índios,
Desde o Norte até o Sul,
Pixueira é coisa fria,
Um beijo chama meiru,
Tacioca é uma é uma casa,
Morada de caititu...
A - Agora o cego Aderaldo
Me respondeu muito bem,
Vi que gírias dos índios,
Ele segue mais além,
Pelo jeito que estou vendo
Você é índio também...
C - Meu amigo eu não sou índio,
Nasci num pobre lugar:
Que é tão propenso a seca
Que obriga agente emigra
Sol danado de Iracema,
Terra de Zé de Alencar...
A - Cego, deixa de mentira,
Tua terra não tem nome,
Tua terra é uma miséria,
É lugar que não se come,
De lá veio cinco mil,
Tudo pra morrer de fome...
C - Dos cinco mil que vieram
Algum era meu parente,
Uma era tio, outro primo,
Conterrâneo e aderente,
Mais esse povo só come
Massa de figo de gente...
A - Saí daí, cego canalha,
Com a sua poesia,
Nesta minha carretilha
Você hoje se esbandalha,
Teu cântico tem grande falha,
Quer cantar mais não convém...
Você somente o que tem
É entrar no bacalhau;
Apanhar de peia e pau
Cearense aqui não vai bem...
C - De onde tu vens contrafeito,
Cabeça de onça mancho,
Bote o matulão abaixo
E conte a história direito,
Me diga o que aqui tem feito
Por estes mundos além,
Se você matou alguém
Ou então se fez barulho,
Vai muito mau seu embrulho,
Paraense aqui não vai bem...
A - Quando eu pego um cantador
Dou três tacada danada,
Lhe deixo a cara inchada
De relho e chiquerador,
É o café que lhe dou,
É isto que lhe dou,
E não diz nada a ninguém,
Apanha e fica calado,
Triste e desmoralizado
Cearense aqui não vai bem...
C - Disse uma velha na rua
Que em outros tempos atrás
Você e um seu rapaz
Lhe roubaram uma perua;
Veja que moda esta sua
Roubando quem vai, quem vem,
Como tu não tem ninguém
Mais ladrão do que você.
Tome lá meu parecer:
Paraense aqui não vai bem...
A - O cantador que eu pegar
Pelo meio da travessa
Nem Padre lhe confessa
Enquanto eu não lhe soltar,
Dou-lhe arrocho de lhe quebra,
Osso e costela também,
Quebro tudo que ele tem,
Deixo-lhe o corpo em bagaço,
Tudo quanto eu digo eu faço,
Cearense aqui não vai bem...
C - Até as moças donzelas
Pediram aos cabras da feira
Para meter-lhe a madeira
E arrebentar-lhe as costelas.
Você abra o olho com elas,
Boa surra você tem,
Boa surra você tem,
Neste dia também vem
A velhinha da perua
Quebrar-lhe a cara na rua,
Paraense aqui não vai bem...
A - Também não quero brigar,
Não sou homem de intriga,
Eu não nasci para briga
E não vivo de pelejar;
Também não quero teimar
Porque isso não convém,
Lhe venero e quero bem,
Digo isso pode crer;
Não quero lhe aborrecer,
Cearense aqui vai bem...
C - Amigo, como mudou,
Que coisa misteriosa!
Tens o perfume da rosa
Que a pouco desabrochou.
Por isso tem o maior verdor
Do que lá no bosque tem.
O anjo lá de Belém
Ouviu nossa cantoria,
Entrarmos em harmonia,
Paraense aqui vai bem...
Havia quatro cervejas
Que um coronel apostou
Dizendo que todas quatro
Pertencem ao vendedor
Nós dois bebemos as cervejas
Nem um nem outro apanhou...
Cidade de Bragança – Estado do Pará, junho de 1919
Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa
(publicado por Aparecida Lopes)
sábado, janeiro 19, 2008
"Ofélia"
Tens a emoção das coisas, da paisagem,
Ergues as patas a adorar a Lua!
Tens ar, inteligência, coração!
Por isso é que eu te presto uma homenagem:
Tirar as luvas e apertar-te a mão!
António Nobre / Antologia Poemas com Animais - Fotografia Teresinha
Publicou a Teresinha
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Os prazeres da Ofélia!
Vejo-a olhar para mim com uma expressão interrogativa e expectante como que a dizer:- Então hoje não há passeio?
Sou simplesmente uma pequena cadela sem raça definida, mas gosto e orgulho-me de saber caçar. Serei talvez, ainda descendente de algum puro e importante faro, rei da caça.
Os cheiros chegam às minhas narinas, convidativos a uma identificação certa e urgente e, é muito importante para mim descobrir quem passou por aqui, se foi gato, cão, ou para minha alegria, coelho. Bem sabes que perco a cabeça quando encontro a peugada de um orelhudo. O maior problema é que estou muito gorda e eles muito ágeis, por mais que eu me esforce, nunca consigo chegar perto daqueles lanetas, evaporam-se sempre muito antes de eu estar próxima. Mesmo sem os conseguir apanhar, gosto de correr atrás dos safados e, de lhe sentir o odor convidativo à perseguição, fintas e correrias loucas. Mas o que me dói mesmo é, todos os dias, ter que suportar a afronta daquela Januária que está no quintal a provocar-me constantemente, protegida por uma rede que me limita os movimentos, mas que aumenta o meu frenesim e apelo genético.
Apesar de todas as afrontas que a Januária me faz passar, tenho tudo para estar bem com a vida. Infelizmente, muitos dos meus irmãos são abandonados, obrigados a viver na maior miséria, simplesmente porque os humanos se fartaram deles.
-Olá Ofélia, companheira de todos os dias. O teu olhar vivo e muito expressivo, diz-me sempre o que tu queres. É o nosso passeio habitual pelos campos onde tu te sentes livre e muito feliz. Eu também partilho do teu gosto.
Como eu gostaria de saber o que foi a tua vida.
Fui buscar-te ao canil onde sei que não é o melhor sitio para se ser feliz . Apesar de haver sempre comida e água, não existem lá as melhores condições para se viver com a dignidade a que todos têm direito.
No meio dos muitos que lá vi, reparei logo no teu porte altivo e, o teu olhar mostrou inteligência e muita meiguice. Vieste comigo sem problemas ou desconfiança, aceitando tudo o que eu tinha para ti. O maior problema era não saber nada do teu passado (idade ou nome). Chamei-te por todos os que me lembrei, mas a nenhum mostraste ligação ou conhecimento. Resolvi chamar-te Ofélia.
Aceitaste sem reservas.
Acima de tudo, o mais importante é a amizade e a dedicação que tu me dedicas e eu a ti.
- Anda Ofélia, vamos passear e correr ao sabor do vento e dos cheiros.
Publicou Zília
quarta-feira, janeiro 16, 2008
INOCÊNCIA
A minha prima estava esperando bebé e já no último mês. O filho de 4 anos andava ansioso porque achava que era tempo demais para a chegada do irmãozinho(a). Um dia, depois do almoço, o miúdo foi com o pai, a um café perto de casa e a dona, que era amiga da família, com um grande sorriso cumprimentou-os e logo de seguida perguntou: Nieta: - a mãe?
Franco: - tem um bebé na barriga?
Nieta: - ai é?
Franco: - (concordava com a cabeça e um grande sorriso)
Nieta: - e tu queres um mano ou uma mana?
Franco: - um mano para jogar à bola!
Nieta: - e o pai o que quer?
Franco: - um carro novo!
FOI UMA GARGALHADA GERAL.
Nessa manhã, o meu primo ia a sair no seu carro velhinho e o mesmo pregou-lhe a partida e não pegou. Voltou a casa zangado e a minha prima, sem saber de nada, perguntou-lhe o que tinha e e o que queria e ele respondeu-lhe: UM CARRO NOVO!
publicado por isabel
domingo, janeiro 13, 2008
Usos, costumes e brincadeiras...

Brincava sempre com as minhas irmãs e com os nossos cães, que também tinham um papel muito importante nas nossas brincadeiras e correrias. Dependendo da época do ano, assim eram as nossas brincadeiras e fantasias. No final da Primavera, época em que o milho estava a formar maçarocas brincava-se a imitar cabeleireiras afamadas, onde as nossas clientes eram submetidas a penteados artísticos, dependendo sempre das nossas vontades e criatividades.
A meio de Janeiro começava a caça aos besouros que eram apanhados para dentro de uma qualquer vasilha que era jogada para dentro da casa da prima Ermelinda que, mesmo morando a uma certa distância era considerada vizinha.
Sentiamos uma grande alegria, ao ver todos os besouros atarantados a voltearem em redor do candeeiro a petróleo e a dona da casa, por toda a "salgalhada", imitava uma grande arrelia que não sentia.
Mas....
Não havia só brincadeiras, também havia muitas tarefas, algumas bastantes aborrecidas!
Uma delas era espiar onde as galinhas tinham o ninho. Como andavam soltas, as atrevidas gostavam de os fazer muito bem escondidos, por isso era preciso descobri-los para retirar os ovos para a nossa alimentação, e evitar que aparecesse ao fim de três semanas uma galinha orgulhosa a mostrar a sua prole... todos bonitos e muito fofinhos.
Assim que a minha mãe descobria que havia uma que tinha mudado de ninho, incumbia-me da aborrecida tarefa de a seguir com todo o cuidado e alguma distância para ela não perceber que estava a ser seguida. De manhã bem cedo, ao abrir a porta do galinheiro a tresmalhada era apanhada e metia-se um dedo, geralmente o anelar no rabito para ver se havia ovo. Se fosse dia de descanso, isto é, se não se encontrava nada no interior do seu corpo, ficava livre e só no dia seguinte é que se repetia novamente a inspecção da existência ou não de ovo. Se não era dia de descanso ficava fechada mais algum tempo, até ela estar com muita vontade de ir para o ninho aliviar-se do seu ovinho.
Mas, algumas espertas e manhosas, percebiam que eu as seguia, então com esperteza elas conseguiam iludir-me com voltas e voltinhas. Perdendo-as de vista, ficava obrigada a repetir tudo de novo até descobrir o sítio onde a manhosa, secretamente tinha o seu ninho. Como era um trabalho que me aborrecia, para evitar estes contratempos muitas vezes fazia uma grande maroteira que dava sempre bons resultados.
A solução era pôr umas pedrinhas de sal no rabito da manhosa. Assim que o sal começava a fazer-lhe ardor, julgando ela que o ovo lhe estava a querer sair, ia a correr aliviar-se daquele incómodo, ficando eu livre logo à primeira, daquele trabalho detestável.
Publicou a Zília
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Amizade é:
- aquilo que se dá com as mãos do coração .
- aquilo que se pode ver mesmo de olhos fechados .
- aquilo que se ouve no som do silêncio .
- aquilo que sai de uma boca calada .
- aquilo que não tem cheiro mas tem sabor .
- aquilo que é AMOR ...
PIublicado por isabel
quarta-feira, janeiro 09, 2008
O Menino Jesus e o pero bravo Esmolfe!

Os peros que mais duravam eram os bravos Esmolfe. Assim em Dezembro, todas as vezes que eu fosse à Igreja levava um pero para oferecer ao Menino Jesus.
O caminho até à Igreja era longo e o pero tinha um cheirinho que era uma tentação, não sei quantas vezes ele saía da sacola, mas sei que eram muitas...
Eu, cada vez que olhava para o pero, dizia: - Hoje é que vou comê-lo!...
Mas... logo a seguir pensava que o Menino iria ficar muito desiludido comigo e, desiludir o Menino eu ainda seria capaz... O pior é que a minha avó estava sempre na Igreja a ver-me entrar para saber se eu cumpria todos os rituais que ela em casa me ensinava. E assim... não me atrevia porque para ela a desilusão seria muito maior!
Hoje cem anos depois do seu nascimento,
Continua a marcar presença pela actualidade
Das suas múltiplas facetas:
A de mulher que fez o combate das mulheres
De filósofa e de escritora
Uma mulher livre!!
Tirado de um artigo de Ana Marques Gastão
Diario de Noticias 9/1/2008
publicado por Lena Almeida
terça-feira, janeiro 08, 2008
O Natal da Ratazana...(pois...)

Em criança, mesmo não tendo uma festa com prendas, mimos ou abundâncias desejava sempre a chegada do Natal. Nada disso havia, mas a referência a esta data, considerada de festa, enchia-me de alegria e expectativa, podia ser que no sapatinho aparecesse um rebuçado ou um pequeno chocolate ou, talvez a tão desejada moeda de cinco tostões.
Muitas vezes se a fase da lua o permitia, matava-se no dia de Natal, o porco, que fornecia o alimento da família para todo o ano. Juntando a matança com o Natal, era mesmo uma grande festa, porque havia muitos convidados, familiares e vizinhos, todos eles alegres, brejeiros e muito conversadores, principalmente ao jantar, quando os afazeres eram menores e o vinho novo já tinha mostrado o efeito de euforia.
Não tenho muitas recordações de Natal, porque nada havia para oferecer ou para encantar a fantasia das crianças, mas lembro-me de um Natal em que uma ratazana esfomeada nos roubou uma boa parte da perua, arranjada e postejada, guardada na arrecadação, onde ela (ratazana) trabalhou afincadamente até levar para os seus esconderijos, praticamente todo o nosso suposto manjar.
Chamou-se o Tareco e o Franjinhas, mas nada nem ninguém conseguiu descobrir a espertalhona. Só passados uns dias é que a gulosa farejou nova refeição numa armadilha preparada para ela.
Estava gorda e lustrosa , penso que o Tareco ficou um pouco confuso com aquele petisco.
- Ratazana com sabor a perua?!...
Comeu com gosto e como todos os gatos, depois de comer, limpou os bigodes e foi dormir uma bela soneca!
segunda-feira, janeiro 07, 2008
UM NATAL ESCURO...

Nos dias que antecedia o Natal, a minha mãe, o meu pai e eu, assentávamos arraiais em casa dos tios; a azáfama era grande; amassava-se e tendia-se pastéis e fritos; embebedava-se o peru, lá no quintal, para depois acabar tostadinho no forno grande; escamava-se o bacalhau depois de demolhado; lavavam-se as couves; descascavam-se batatas doces e brancas; tirava-se o vinho da pipa.
Vivia-se o Natal em família e cheio de alegria!
Eu, ainda pequena, sonhava com a noite de natal...os presentes no sapatinho...o Menino Jesus...ai e as maldades descontadas nos presentes...que preocupação!
Naquela noite não dormia.Todos os sons que ouvia, imaginava as prendas a caír do céu para os meus sapatinhos... e ouvia mesmo!
No dia seguinte, logo pela manhã, corria ... e lá estavam eles. Uma caixinha de lápis de cores, panelinhas, pratinhos...uma blusa de lã angorá e cor amarela, uma saia pregueada azul escura...e muitos, muitos FLOCOS, espalhados pela chaminé e por toda a cozinha.
Flocos, não de neve branquinha, mas flocos de fuligem muito negra, que sujavam as mãos, os cabelos, os olhos, o rosto...
Foi o Natal mais escuro da minha vida, mas a verdade, verdadinha é que os presentes vieram mesmo pelo buraco da chaminé...
quinta-feira, janeiro 03, 2008

Durante a minha vida muitas pessoas passaram por mim dia após dia, mas só algumas pessoas ficaram para sempre no meu coração. Ás vezes pelo simples facto de terem cruzado na minha vida, de terem dito uma palavra de conforto quanto eu precisei, ás vezes por me terem dado um minuto da sua atenção quando precisei de falar das minhas angústias, vitórias e derrotas. Ás vezes por terem confiado em mim e me contarem também os seus problemas e vitórias, isso é ser amigo, é ouvir, é confiar e amigos de verdade ficam para sempre nos nossos corações, assim como as pegadas na alma são indestrutíveis!
Bom ano para todos "ASAS" com Amizade!
Lena Almeida
Janeiro 04, 2008
Uma estória de Natal...talvez...
Há quatro anos atrás isso aconteceu pela primeira vez.
O telefone tocou e a minha amiga Maria (Belga), chorando do outro lado do fio dizia-me:
- A minha filha Vera morreu!
No mesmo momento olhei pela janela e lá estava a Gaivota!
Era dia de Natal!
Não pude deixar de associar os dois acontecimentos e murmurei "Vera?..."
Vera tinha morrido nesse dia. Sempre amara Portugal desde que em criança viera com os irmãos e os pais. Todos os anos a família continua a vir passar férias a Sines. Vera nunca mais pôde vir. Uma grave doença de coração impedia-a de andar de avião. Fizera três operações mas, aos quarenta e cinco anos, nesse dia de Natal o seu coração parou.
"Quem sabe se finalmente livre dos seus males, o seu coração tomou asas de Gaivota e ela voou até Sines?..."
E de há 4 anos para cá no dia de Natal a Gaivota vem pousar no candeeiro.
É evidente que tudo isto são coincidências. Desde Outubro que a praia se encheu de gaivotas, que são aves de arribação. Todavia, já me dei conta que há um bando que só chega no Natal! E esse é o bando que me conhece, espera que eu apareça na janela e começa a rodopiar na minha frente esperando que eu lhes atire para o chão pedacinhos de pão que elas esfomeadas se apressam a comer.
E agora já sei que durante 2 ou 3 três meses terei estas visitas diárias frente à minha janela e não há pão que chegue para tanto bico...
Depois partem e passarei a ir levar o pão à praia nos meus passeios no calçadão. Lá estão as outras, as tais que não sabem onde eu moro.
Uma curiosidade: Quando o pão é muito duro elas pegam-lhe com o bico e vão rebolá-lo na água do mar até ele amolecer e só depois o engolem!
BICHINHO ESPERTO!!!...
Não sei se é uma estória de Natal. Mas no dia de Natal, uma Gaivota pousa no candeeiro da minha rua anunciando a chegada do Bando!
Publicou carolina
quarta-feira, janeiro 02, 2008
O Natal dos meus tempos de menina...
O Natal, dos meus tempos de menina, era mais ou menos como o de hoje.
Muita excitação, muita ansiedade, muito colorido… a diferença era que, em vez de recebermos os presentes à meia-noite, só os recebíamos nas manhãs do dia 25, e então essa noite tornava-se a mais longa de todas (também não recebíamos a quantidade de presentes que se recebe hoje).
Recordo-me, de um Natal em particular.
Tal como hoje, nós as crianças também fazíamos os presentinhos de Natal na escola para o pai e para a mãe, lá em casa como éramos 3, que trabalheira, que “drama”, não só os fazermos como ainda termos que escondê-los uns dos outros. Cada um de nós queria fazer o presente mais belo, mais original…
Mas houve um Natal em que só entreguei um presente.
- Lembro-me como se fosse hoje, enterrei-o no meu quintal, como se tivesse a certeza que nessa noite o irias buscar, pai.
Agora passados, todos estes anos, já só somos 2, e continuamos a esconder os presentes (uma da outra) que compramos à mãe (já não os fazemos).
- E o teu, pai, já não o enterro, continuo a guardar o meu, e também o do Rogério, bem guardadinho no cofre do meu coração.
Pois sei que todos os natais os vais receber e continuará, tal como ontem, a magia do Natal e o renascer desse Menino que se fez Homem para nos salvar.
Silvana Ramos Sapage srs
sábado, dezembro 29, 2007
Retalhos de Um Natal Alentejano!

Na sua burrinha, toda atarefada.
Vai levar o trigo, trocar por farinha,
Pra fazer o pão logo à tardinha.
De regresso a casa passa pela feira,
Vem fazendo contas: - Que grande canseira!
Só posso levar castanhas e nozes,
Da massa do pão faço umas filhozes.
Ao chegar a casa descarrega a burrinha,
Põe o avental, peneira a farinha.
Amassa o pão, põe a levedar.
- Ainda não é desta que vou descansar!
Prepara a lenha p'ra acender o forno.
- Mas que vida é esta ?
Ó vida de um corno!
O pão levedado já o vai tender,
O forno já quente põe-no a cozer.
E com tudo isto está muito cansada.
E ainda lhe falta fazer as filhozes
Para a Consoada ...
(Eduarda Rosa é cunhada da Zília e nossa colega na Academia Senior de Almada)
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Dos Braços para o Colo
Tudo preparado, desde o presépio aos sapatinhos engraxados bem perto dele. As luzes brilhavam em tacinhas de barro com azeite. À lareira, esperávamos.
-De súbito, caiu com grande alarido um pacote de papel colorido através da janela da cozinha. Surpreendidos, desatámos o laço do embrulho, e surgiram todas as "doçuras" que esperávamos!!!...
Logo após, entrou o pai, de braços estendidos, e com ele o colo e o carinhos como só ele sabia dar...
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Todos na varanda...

Todos na varanda, olhando as estrelas!
- Aquela ali é mais brilhante!
- Não é nada. Aquela é que pisca muito.
- Já sei, é a que está aqui mais perto de nós, é de lá que Ele vem…
- Donde? Donde?
Procurávamos com os olhos ansiosos a estrelinha donde vinha o Menino Jesus com os seus presentes.
Ninguém ouvira ainda falar do Pai Natal. O tempo era do Menino…
Na sala erguia-se o presépio, todos os anos, e a magia estava naquele Menino rosadinho deitado numas singelas palhinhas.
Depois da consoada, do bacalhau com todos, íamos para a grande varanda à volta da casa, ver se o Menino Jesus estaria já a vir da sua estrela com algum presente.
Nós éramos sete.
Não nos passava pela cabeça que Ele trouxesse sete presentes. Seria demais…
Assim esperávamos algo que fosse comum. Um presente para todos…
Um monopólio, um gira-discos, um gravador de fita, uma colecção de livros juvenis, um jogo… enfim… uma prenda comunitária que a todos excitava e alegrava.
Como por encanto, enquanto perscrutávamos as estrelas, o Menino Jesus fintáva-nos e dentro de casa, junto ao presépio, colocava a prenda tão ansiada!
Laura Miranda
Dezembro 2007
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Outros Natais!...

(.....) Faltavam 2 dias para o Natal e todos ansiávamos acabar a missão e regressar ao quartel.
Ao fim de umas quatro horas abandonámos finalmente a “Catedral” e sentimos outra vez o sol brilhar sobre a cabeça. Voltaram os ruídos próprios de uma deslocação na mata, o choque do metal contra metal, o calor, os irritantes insectos, a transpiração a escorrer-nos da testa, os camuflados a prenderem nos mil picos que nos cercam e aprisionam, que nos atrasam a marcha e nos fazem soltar imprecações em surdina. Acabara o encantamento. Não encontráramos ninguém, apenas um local que havia servido ao IN, com sinais de ter sido utilizado muito recentemente, provavelmente para espiarem a nossa deslocação.
E a marcha continuou por mais duas horas, até chegarmos, extenuados, ao acampamento de trapos, aonde nos esperava a refeição quente que já comíamos há dois dias: feijão com feijão. Quisemos saber quando íamos embora, mas era informação classificada e provavelmente só o Comandante o sabia e não dizia. Ouvimos dizer que o Natal ia ser passado ali e que vinha a caminho uma coluna com abastecimentos frescos. Que desilusão!
E assim foi. O Natal de 1968 acabou por chegar, a anunciada e ansiada coluna de reabastecimento não, e a ementa da nossa ceia desse dia especial foi a mesma de sempre: feijão com feijão! Improvisámos um presépio e sonhámos com um prato a transbordar de bacalhau e batatas, coberto por couve portuguesa, no cimo e em equilíbrio instável um ovo cozido, um dente de alho a deixar-se ver como que envergonhado por entre as couves, tudo regado com azeite puro de oliveira e com um tinto da Bairrada, que na tropa até nem era mau! E regressámos a Luanda três dias depois do Natal, com barbas enormes, sujos que eu sei lá, cansados quase à exaustão, mas contentes por tudo ter corrido bem e ninguém se ter aleijado naquela missão de que continuámos a ignorar a finalidade.
Nas nossas memórias, ficou para sempre gravada aquela imponente Catedral, algures na mata do Bengo, um reino diferente, extra-terrestre, verdadeira moradia à dimensão dos Deuses, e em que todos nós tivéramos o privilégio de um dia e por pouco tempo, poder entrar… mesmo que o preço tenha sido uma Ceia de Natal de feijão com feijão!
(António Gil)
terça-feira, dezembro 25, 2007
A Maior História Alguma Vez Contada
domingo, dezembro 23, 2007
O Palhaço Pepe e a Carochinha

No circo cheio de luz
Há tanto que ver!...
"Senhores!"
-Grita o palhaço da entrada,
Todo listrado de cores
-"Entrai, que não custa nada!
À saída é que se paga..."
O palhaço entrou em cena,
Ri, cabriola, rebola,
Pega fogo á multidão.
Ri, palhaço!
Corpo de borracha e aço
Rebola como uma bola,
Tem dentro não sei que mola
Que pincha, emperra, uiva, guincha,
Zune, faz rir!
José Régio - As Encruzilhadas de Deus
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Bom Natal!
A estrela brilhavaterça-feira, dezembro 18, 2007
NATAL - PROSAS e ASAS

domingo, dezembro 16, 2007
terça-feira, dezembro 11, 2007
segunda-feira, dezembro 10, 2007
domingo, dezembro 09, 2007
NATAL À BEIRA-RIO quarta-feira, dezembro 05, 2007
Aviso!
terça-feira, dezembro 04, 2007
Aldeias Históricas das Beiras
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Hoje é dia....

Hoje é Dia Internacional da
Pessoa com Deficiência!
Hoje é dia de se darem flores! (Ou não??...)
Não é assim no dia da Mulher, do Pai, da Mãe, dos Namorados, do tio, do primo, etc, etc???
Hoje é dia de receber sorrisos!
É dia de entrevistas e debates!É dia de se falar em INTEGRAÇÃO, ACESSIBILIDADES e rampas e placas elevatórias e Igualdade de Direitos e todos iguais e todos diferentes!
É dia de ajudar o "ceguinho" a atravessar a rua, "coitadinho" !
É dia de acenar "adeuses" sorridentes aos surdos!
Hoje não se contarão anedotas sobre "gagos"!
De todos os dicionários, enciclopédias, mentalidades e corações, serão banidas as palavras:
REJEIÇÃO, DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO!
Ai que bom sermos hoje os "reis da festa"!
O pior...o pior é que o amanhã está logo aí. Heim??? E amanhã??...
É tão bom "teorizar-se"sobre a deficiência! (Que alívio de consciências!)
O difícil mesmo é "viver-se" a deficiência...Dia Internacional da Pessoa com Deficiência!!! E, já agora, porque é que não simplificam dizendo:
Dia Internacional do Deficiente? ( Estarão com medo de que a gente se moleste?) É que nunca ouvi falar em:
Dia de pessoa que fuma...
Dia da pessoa que tem filhos...
Dia da pessoa que namora...
Dia da pessoa do sexo feminino...
Ai, Valha-me Deus! Como a pessoa que não tem deficiência é complicada!!!
E pronto! Até amanhã!
Cá estaremos de novo, lutando para nos mantermos à tona d'água, sorrindo e contando com os vossos sorrisos! E olhem, quem escreveu isto, apesar do tom irónico, não foi nenhuma pessoa azeda nem amargurada, porque assumi a minha deficiência e me considero integrada.
Sou a Carolina que, se define como : Uma pessoa comunicativa e bem disposta, (mas, vá-se lá saber porquê...) com uma teimosa e permanente lagrimita no canto do olho.
Para TODOS, "com ou sem deficiência", um bom-dia!
(In Sardinheiras/Dezembro de 2005)
......
Publicou carolina
sábado, dezembro 01, 2007
Queres comprar um fantasma?

- Queres comprar um fantasma?
Chegam a acordo quanto ao preço, o rapaz paga o acordado e...
E porque o filme mete fantasmas, temos que estar preparados para tudo, mesmo para o surpreendente final. Mas veja o filme, de preferência com o som um pouquinho mais alto que habitualmente. Embora em inglês, percebe-se facilmente. Clique na imagem acima sff e depois no botão inferior direito (para maximizar a imagem).
A. Gil
sexta-feira, novembro 30, 2007
As quatro palavrinhas

A isto respondeu Zapatero, dizendo que, para haver boas relações entre os países, independente das diferenças que possam existir, deveria haver respeito, pois além de tudo, o antigo primeiro-ministro espanhol tinha sido eleito democraticamente pelo povo.
Mas Chávez não se calava e é então que o rei Juan Carlos, num gesto sem precedentes, chegou-se à frente dizendo-lhe: “Porque não te calas?”. Estas quatro palavrinhas caíram, nos ouvidos de muita gente, como uma sopinha quente num estômago vazio. Ainda para “sobremesa”, ouve-se o dito Chávez a dizer que o rei, por ser rei, não o manda calar, que ele próprio também é chefe de Estado eleito democraticamente, que exige respeito, bla, bla, bla.
Esquece-se que os seus próprios compatriotas devem estar fartos de o ouvir falar, nos seus intermináveis discursos de 7 horas, com que os contempla de tempos a tempos, imaginando nós a vontadinha que eles terão de o mandar calar também. Era caso para dizer que o rei lhes tirou as palavras da boca.
Em matéria de insultos, haveria muito a apontar ao presidente da Venezuela, país onde são raptados e assassinados compatriotas nossos e em que os direitos humanos são letra morta para o governo. Há tempos, na ONU, ao chegar ao palanque para discursar depois de George Bush, disse: "O Diabo passou ontem por aqui, este lugar ainda cheira a enxofre". E, sempre que pode, toca a insultar quem lhe apetece, sentado que está num mar de petróleo e sabendo que o mundo precisa dele.
Por cá, João Soares considera que o rei se excedeu e que talvez o Chávez tivesse razão em chamar fascista a Aznar, por este ter reconhecido um golpe de estado na Venezuela, em 2002, onde o próprio Chávez foi afastado temporariamente do poder, pela oposição do seu país.
Ora, reconhecer que a Venezuela é uma democracia é o mesmo que acreditar que Carolina Salgado é uma senhora recatada e virtuosa. Mas vamos lá saber porque é que as pessoas tendem a ser “do contra”?
O que é certo é que já foi criado um site baseado nas palavras de Juan Carlos, e já se pode fazer download para os telemóveis de mais de 50 versões da referida frase, como toque polifónico, para além dos vídeos, alusivos ao momento, espalhados por toda a internet.
As palavras do rei criaram um precedente, que deveria ser respeitado pelos países democráticos. Por exemplo, aparecia cá o Mugabe a dizer baboseiras, ele que vive numa casa que parece o palácio de Versalhes e tem o povo na miséria, e alguém deveria dizer-lhe: Porque não te calas? Ou quando o presidente do Irão foi aos Estados Unidos, discursar numa universidade, dizendo que na terra dele não havia gays (talvez porque ele os faça desaparecer). Ou até quando algum ditador vai discursar à ONU, pensando que por ser chefe de estado de um país qualquer, tem direito a sentar o traseiro naquele lugar e a vomitar demagogia.
E até internamente, quando entendêssemos que algum político nos estava a enganar e a insultar a nossa inteligência, dizer-lhe as mesmas quatro palavrinhas. Tenho a certeza que o mundo ficaria muito mais aliviado.
Maria de Portugal
quarta-feira, novembro 28, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
Em todas as ruas te encontro...

em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
segunda-feira, novembro 26, 2007
sexta-feira, novembro 23, 2007
"Poema" de Mario Cesariny ou Delírios 2

A.Gil
quinta-feira, novembro 22, 2007
Delírios!...
(Pintura de Linda Bergkvist)Do mar, vem o som das ondas que brincam e adormecem no extenso areal dourado, onde eu deixo esvoaçar o véu brilhante e transparente como a lua em céu de Agosto.
Chamo-te! As nossas mãos tocam-se e elevam-se em carícias esperadas. No pensamento o fogo ateia a paixão e desata as fantasias esquecidas . Abraço-te e sussurro-te ao ouvido cânticos de sereia encantada, que tu ouves, sabendo que és a musa de toda a minha inspiração, pensamento, esperança e vida.
Os nossos olhos fixam-se, somente esperando o momento da explosão dos nossos corpos que se conhecem e se desejam.
As ondas, correndo pelo areal, brincam connosco envolvendo-nos em leves e frescos salpicos salgados que nos refrescam os nossos corpos abraçados e abrasados, as nossas mentes, estão sedentas desta união desejada.
O luar de Agosto envolve o meu quarto e , embrulha- me com a sua luz branca. Estremeço, estendo a mão e não encontro as ondas do mar a espraiar na areia dourada, muito menos o calor do teu corpo, que julguei a meu lado.
Já acordada, olho a lua transparente que me entra no quarto e, sinto o peso do silêncio da tua ausência constante.
.....
Publicou carolina
terça-feira, novembro 20, 2007
domingo, novembro 18, 2007
PROSAS
Debruçadas sobre o mar
Brotam PROSAS com arte
e com sabor !
Nascem ufanas, orgulhosas
Como um botão se torna em flor!
As portas estão já abertas
Por elas entra quem quer
Com PROSAS afáveis,
exuberantes ou discretas…
Nascem nas ASAS das palavras
Voam firme e seguro, pelo ar
No espaço branco e profundo
Onde nasceram, junto ao mar!
Cresceram…
Com a força das mãos unidas
Dos sonhos sonhados juntos,
E expulsam horas vazias
Dão corpo às nossas palavras,
Aos corações, o calor
O sentido e voz aos dias…
16/11/2007 - PROSAS - Projecto Senior de Artes e Saberes - Sines
( texto e fotos de Laura Miranda)
quarta-feira, novembro 07, 2007
O Canto das Letras e as Letras do Canto...
À roda da mesa soltam-se as palavrasem torno de nós as vozes se encadeiam
O Verbo pouco a pouco engrandece
E germina um projecto, uma ideia!
No Canto entoa e ecoa a palavra madura,
Saber e sabor a sal da palavra dita
Amargo do fruto ainda verde
Doçura do poema enfeitiçado,
Canto nostálgico do conto devassado.
No Canto a alma canta,
Brota sem freio, enaltecida!
As letras soltas, dançam, rodopiam
E o canto é um hino em devaneio
Que soletra uma a uma, letra a letra
E dá corpo e voz a cada anseio.
Neste universo de sentidos e emoções
As nossas armas são letras e palavras
Brandas, doces, ácidas ou amargas
A batalha é nos nossos corações!
Laura Miranda
terça-feira, novembro 06, 2007
O meu pecado venial! (receita)
Aparam-se-lhe as barbatanas dorsais para que não nos arranhem a goela.
Ergue-se-lhe a barbatana anal e metem-se-lhe 2 supositórios Rectro-Pulmon, para se lhe acabar com a tosse.
Olha-se o dito animal bem no fundo dos olhos, para que fique hipnotizado.
Aproveita-se este estado de "lassidão", para meter a dourada na caçarola. (A palavra caçarola é mais "musical" que o tradicional tabuleiro, assim sendo, anima o cozinhado.)
Molho de coentros para cima do bicho.
Rodelas de cebola por baixo do bicho.
Batatinhas sem pele, dos lados do bicho.
Regadela de azeite.
Polvilhação de sal.
Forno ligado.
(Enquanto assa, fazem-se-lhe festinhas na guelra para que não acorde do seu sono hipnótico, cantando-se baixinho:
" Faz ó-ó meu peixinho, que o PAPÃO logo vem, la la la la la la ....")
Assim que estiver assada come-se num ápice, não vá ela dar o salto, e estragar-nos o festim.
Acompanha-se com um tintinho "Quinta da Boa Vida" e ... 3 pastilhas Rennie.
Ai é verdade, reguem com um vinagrito! (Não há escabeche , nem descabeche , sem vinagre! )
BOM APETITE!!!
domingo, novembro 04, 2007
Mariza - Live

A.Gil









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